terça-feira, 17 de julho de 2018

Sô Jão


Sô Jão detestava ser chamado de Seu Zé. Qualquer um que se atrevesse, ia entender porque ele tinha fama de ignorante por aquelas bandas. Nasceu num tempo em que pai era rei e mãe, escrava. E criou os filhos assim. Homem cascudo, calejado, que não aceitava desaforo, trabalhador daqueles que nunca parava. Quando não conseguia mais trocar as lâmpadas da casa, ia olhar a rua só para fazer o tempo passar.
Sô Jão tinha várias cicatrizes e aprontou tantas que ninguém consegue mais contar. Pino no joelho, traumatismo craniano, pontos na cabeça... e ainda tem o fusquinha laranja amassado guardado na garagem, empoeirado, testemunha das viagens de uma vida inteira.
Sô Jão disse que o jogador do galo estava internado. Contou quanto que a esposa recebe de aposentadoria e viu os irmãos ao seu lado no hospital, junto com seus filhos e netos. Sorriu como uma criança, se irritou como um velho e ainda tentou fugir do hospital.
Mas Sô Jão não voltou para casa. Bom, pelo menos não voltou para a antiga casa, onde criou 3 filhos e viu os netos correrem. Ele foi morar num lugar melhor, um lugar que eu nunca conheci ninguém que já tivesse visitado, mas que todos dizem que é melhor que aqui embaixo. Sô Jão deixou para trás muita saudade, é verdade, mas agora está em paz.

domingo, 15 de julho de 2018

#EU




Eu gosto de curtir a bad de vez em quando. Do mesmo jeito que as pessoas curtem a preguiça, ficando de pijama o dia inteiro, não se levantando da cama, olhando para o teto enquanto pensa em algo para procrastinar. Eu gosto dessa coisa de ouvir música triste, tomar um pote de sorvete, comparar o céu nublado com o meu humor. Faz bem, às vezes, sentir as lágrimas escorrendo pelo rosto. Quando isso acontece, o peito fica leve, o peso que ele abrigava vai embora e deixa só o vazio. Significa que estou pronta para outra, que eu fiquei livre do que me fez ficar mal.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Mais um texto sobre a dor


Ele já dormia na minha cama e eu acordava com torcicolo porque dava espaço para que seu sono fosse tranquilo. Assim como dei espaço na minha vida, alterei minha rotina. Ainda tem um arranhão na minha mão e outro na minha perna. Eu ainda escuto o miado baixinho dele e lembro perfeitamente do ronronar no meu ouvido.
Ele veio e pegou para ele uma parte de mim que eu nem sabia que existia. Tão rápido e tão intenso.... Tão pequeno. E levou junto. Deixou em seu lugar uma dor que não vai embora com o tempo, apenas adormece. E de vez em quando acorda, pulsa, esmaga meu peito. Me destrói aos poucos, de dentro para fora.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

TAG: Que tiro foi esse?




Olá, pessoas!
Mais uma tag! Dessa vez a tag se chama “Que tiro foi esse?”, que eu encontrei no blog “Coisa de Diane”: https://coisasdediane.blogspot.com/2018/04/tag-que-tiro-foi-esse.html


1- QUE TIRO FOI ESSE?: um livro que te deixou no chão, morto, estatelado;

The walking dead – A Ascenção do governador



No universo de The Walking Dead não existe vilão maior do que o Governador, o déspota que comanda a cidade de Woodbury. Ele é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Neste romance os fãs descobrirão como ele se tornou esse homem e qual a origem de suas atitudes extremas. Para isso, é preciso conhecer a história de Phillip Blake, sua filha Penny e seu irmão Brian que, com outros dois amigos, irão cruzar cidades desoladas pelo apocalipse zumbi em busca da salvação.










2- SAMBA NA CARA DA INIMIGA: um livro que foi o melhor de todos de algum gênero;

Inferno – Dan Brown

Neste fascinante thriller, Dan Brown retoma a mistura magistral de história, arte, códigos e símbolos que o consagrou em "O Código Da Vinci", "Anjos e Demônios" e "O Símbolo Perdido" e faz de Inferno sua aposta mais alta até o momento.

No coração da Itália, Robert Langdon, o professor de Simbologia de Harvard, é arrastado para um mundo angustiante centrado numa das obras literárias mais duradouras e misteriosas da história: O Inferno, de Dante Alighieri.

Numa corrida contra o tempo, ele luta contra um adversário assustador e enfrenta um enigma engenhoso que o leva para uma clássica paisagem de arte, passagens secretas e ciência futurística. Tendo como pano de fundo poema de Dante, e mergulha numa caçada frenética para encontrar respostas e decidir em quem confiar, antes que o mundo que conhecemos seja destruído.



3- DESFILA COM AS AMIGAS: uma série, trilogia e duologia que é incrível do início ao fim;

Mortal – J. D. Robb



A primeira vítima foi encontrada caída na calçada, na chuva. A segunda foi morta no próprio prédio onde morava. A tenente Eve Dallas, da Polícia de Nova York, não teve dificuldades para encontrar uma ligação entre os dois crimes. As duas vítimas eram mulheres lindas e muito bem-sucedidas, mas que mantinham relações que poderiam provocar suas mortes. Suas vidas glamourosas e seus casos amorosos eram assunto na cidade, assim como suas relações íntimas com homens poderosos e riquíssimos. Livro escrito por J.D. Robb - pseudônimo da escritora norte-americana Nora Roberts.








4- QUER CAUSAR, A GENTE CAUSA: um livro que você amou ou odiou e a maioria das pessoas teve uma opinião diferente da sua;

Um dia – David Nichols
 Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro.
Os anos se passam e Dexter e Emma levam vidas isoladas — vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois.
Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.
Um Dia é um fenômeno editorial no Reino Unido, sucesso absoluto de crítica e público, e teve o roteiro adaptado para o cinema pelo próprio autor, David Nicholls. 


5- QUEM OLHA NOSSO BONDE, PIRA: um livro que você pira só de olhar a capa.

O conde de monte cristo – Alexandre Dumas

Um clássico da literatura, que mexe com a imaginação e a sensibilidade de milhões de leitores há mais de 150 anos, ganha finalmente a edição brasileira que merece: em caixa com dois tomos, ilustrado com 170 gravuras de época e enriquecido por mais de 500 notas explicativas. O romance constrói um suspense atrás do outro, numa sequência de peripécias de tirar o fôlego - traições, denúncias anônimas, tesouros fabulosos, envenenamentos e vinganças. Publicado originalmente na forma de folhetim entre 1844 e 1846, dois anos depois já circulava em diversas línguas sob a forma de livro, numa carreira vertiginosa que só encontra paralelo na saga de Os três mosqueteiros, outro best-seller de Alexandre Dumas. O conde de Monte de Cristo volta para acertar suas contas com leitores de todo o Brasil.
"Alexandre Dumas diverte como uma lanterna mágica. ... O amor conserva a decência, o fanatismo é alegre, os massacres fazem sorrir." 
Gustave Flaubert

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Correio Elegante




Ô moça, vamo ali no meio da pista dançá um forrózim com eu? Sabe o que é? É que eu te vi aqui com esse cabelo escuro que nem breu e fiquei pensando com meus botão que eu divia era mandá o moço entregá um correio elegante procê. Mas num sabia se ocê ia me dá bola. Te pago até um canjicão, agora tá na moda muié gostar de comida mais que de bãobão e buquê de frô. Quem sabe a gente não estende o são jão e vira a noite, a semana, o ano, até o são jão que vem? Ou então nóis casa aqui mermo, aproveita que ocê já é a noiva, faz de mim o noivo e o bolo pode sê de paçoca. E aí, moça? Vamo ali dançar um tiquim com eu?

sábado, 7 de julho de 2018

Memento Mori




Os peixes morrem pela boca. E eu também. Mas de um jeito diferente. Nada tão romantizado como um beijo, muito menos simples como a fala. Foi só uma vez, eu juro!
- Ele se foi.

Ela saiu feito louca do quarto e eu fiquei alguns segundos sem me mexer. Eu poderia ter ido atrás, poderia ter gritado, me afastado da mulher seminua agarrada em mim. Eu poderia ter dito que a amava antes que fosse tarde demais.
Mas não.
- Você é um idiota.
- Eu sei.
E eu sabia. Que era um idiota, mas não de onde havia surgido aquela voz.
- Você está morto. De novo.
- Oi?
- Ah, certo você não se lembra. – A voz era de uma mulher. Mas poderia ser de homem. Eu estava deitado, mas se eu estivesse sentado também não faria diferença. Alguma coisa estava muito errada. – Vamos refrescar sua memória.
Eu ouvi um estalar de dedos que poderia muito bem ter sido o som de uma bomba e uma luz forte obrigou meus olhos a se fecharem. E eu nem sabia que estava no escuro.

Aquele era eu. Usando roupas que não eram minhas, falando numa língua que não era a minha, com uma voz que definitivamente eu não tinha. Mas era eu, certeza.
Ainda sem entender o que acontecia, eu vi a mim mesmo brigar com uma moça. Não entendia nada do que era dito, mas arregalei os olhos quando ela segurou um punhal a sua frente e caminhou para o meu lado. Como quem pede desculpas, dei dois passos para trás e fiquei encurralado entre a parede e a mulher.
Em algum momento deixei de ser apenas um observador e passei a ser o protagonista da cena. Quando ela falou que ia se vingar de mim por ter me engraçado com outra eu entendi, mesmo sendo um idioma estranho.
E quando ela esfaqueou minha barriga, eu senti a dor do sangue saindo do meu corpo como se fosse eu. Mas não era. Ou era?

- E essa foi só a primeira vez. – A voz andrógina novamente. Os últimos flashes de dor ainda percorriam meu corpo e eu rezei para mais uma dose. O que não veio.
- O que... – Tossi e levei a mão aos meus lábios, achando que saiu sangue como acontece nos filmes em que alguém é esfaqueado. – O que foi isso?
- Você. Sendo morto.
Eu apenas continuei encarando o que quer que estivesse a minha frente. Quase ouvi o som dos meus cílios batendo uns contra os outros.
- É normal não entender no início. – A voz era feminina, eu decidi. – Não pelo timbre em si, mas pela entonação. E pelo ódio que escorria das palavras, também. – Mas eu explico.
“Ao longo da sua vida espiritual, você morreu algumas vezes. 99, para ser mais exata. Por cometer o mesmo pecado.”
- Pecado?
- É. Luxúria, fetiche, adultério, chifre... Escolha o nome que quiser. O nome que você escolhe dar não muda os fatos: você morreu agora, assim como morreu inúmeras vezes antes, pelo mesmo motivo: traição.
- Como... – Eu não sabia nem o que eu queria perguntar, então escolhi o silêncio. Deus! Como eu precisava de mais uma dose!
- Eu te mostro.

As roupas eram ridiculamente feias. Babados e estampas exageradas e uma meia que ia até os meus joelhos. Quando me virei, tentando entender onde eu estava, quase desmaiei.
Jesus amado, eu estava usando uma peruca!
E o espelho era ovalado, a moldura parecia ouro de verdade, formando desenhos intrincados.
Uma mulher entrou no quarto e me deu um beijo longo, profundo, antes de me puxar pela mão até um salão bastante enfeitado.
- Um baile!
- Claro, gênio! – Ela sorria, mas havia algo de errado com seu sorriso enquanto ela me entregava uma taça de vinho. Eu virei tudo de uma vez só e não demorou muito para sentir que meu estômago pegava fogo.
- Veneno.
A cena mudou e agora eu encarava uma jovem com cabelos quase brancos que apontava uma arma para mim.
- Bala de revólver.
Depois eu me vi num leito de hospital com um braço ligado à um tubo intravenoso. Alguém injetou algo no tubo antes de tudo escurecer novamente.
- Dose errada de remédio. Ou não... – A voz anônima era pensativa – Não é “errada” se foi de propósito...
Eu andava pela rua quando gritos soaram. Quando olhei para o lado, algo imenso me atingiu.
- Atropelamento.
Enquanto as cenas iam mudando e a pessoa ia citando todas as formas diferentes pelas quais eu morri, eu sentia a dor e o medo de cada uma delas enquanto me lembrava dos detalhes de cada uma das minhas vidas passadas.
Os mais variados tipos de assassinatos, em infinitos lugares, pela mão de diferentes pessoas.
- Atropelado por um trem, esfaqueado, pauladas, queimado vivo, afogado... Só há uma constante nisso tudo. – Ela disse, enquanto eu sentia duas mãos em volta do meu pescoço. Como se eu me importasse... – Talvez devesse se importar. Pelo menos na sua próxima vida.
- Como eu faço para parar?
- Não dá.
Nesse momento o mundo inteiro se apagou e eu me vi deitado, ainda sem enxergar nada. Quando me dei conta do que estava acontecendo, comecei a esmurrar a tampa do caixão, mas não foi o suficiente.
- Por que não?
Era como se minha cabeça fosse afundada num balde de água e retirada repetidamente. Tudo o que eu tinha eram flashes de todos os modos que eu morri.
- Você precisa revivê-las, cada uma delas.
Quando eu pensei que não tinha como piorar, senti infinitas fisgadas arrancando pedaços da minha pele. Se não fosse tão doloroso, eu poderia pensar que um ataque de piranhas era uma morte bem criativa.

E assim se passaram horas, que eu tive a impressão de serem séculos. A dor em meu corpo evoluiu, atingiu seu ápice e ficou lá por um longo tempo. Longo o suficiente para me anestesiar. Eu não senti mais as lágrimas rolando pelo meu rosto, mas o gosto salgado delas ainda estava na minha língua.
O ser que jogava na minha cara todas as minhas burrices ria, gargalhava, parecia que o próprio diabo zombava de mim enquanto eu caía até chegar ao inferno.
- Agora você vai voltar.
- Para onde?
- Para a terra.
- Como assim? Eu não morri? – Por que diabos eu estava naquele lugar, então? Será que era um sonho?
- Morreu. Mas não o suficiente.
Só pode ser brincadeira! Depois de mais de não sei quantas vidas, depois de sentir todos os tipos de dores possíveis durante um tempo que pareceu infinito, aquela desgraça estava me dizendo que eu não tinha morrido vezes o suficiente?!
- É isso mesmo. Você não aprendeu a lição em nenhuma das suas vidas passadas.
- Que lição?
- Não sou eu quem vai te contar...

E então eu morri. E depois nasci de novo. De outra mãe, em outro tempo, outro país. O futuro não é tão bom quanto diziam ser, mas isso não importa agora. Porque alguma coisa deu errada durante a logística da coisa de nascer-morrer-nascer de novo. Agora eu me lembro de tudo.
E penso sobre tudo enquanto a minha namorada respira o pó branco e limpa os resíduos que ficaram em seu rosto. Atrás dela, a moça de cabelos loiros parecia vagamente familiar.
A partir daí todos os acontecimentos se sucederam como quando avançamos um filme para chegar na nossa parte favorita. Mas não era eu quem segurava o controle remoto.
A dor, o vômito, alguém me virando de lado enquanto a moça loira olhava, seus olhos atentos, as luzes piscando, a sirene alta demais em meu ouvido, os cabelos loiros perto demais de mim, a luz branca, o escuro, o bipe contínuo...
- Ele se foi...
E a moça do cabelo loiro, gargalhando, zombando de mim.
- Você morreu.
De novo.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Dia de Saudade




Tem dia que é de trabalho, tem dia que é de seminário, tem o domingo da preguiça e a quarta do futebol. E tem dia que é de saudade. Esse, ao contrário de tantos outros dias, não tem preferência entre o início, o meio ou o fim da semana. A saudade não escolhe horário; mas, geralmente, escolhe a solidão. E a solidão, acreditem, pode vir acompanhada de uma multidão.
Nos dias de saudade os olhos ficam marejados, qualquer coisa é motivo para respirar fundo e rezar para não chorar. Seus músculos contraídos não têm força o suficiente para refrear o aperto no peito que te atinge do nada. E fica martelando ali, no mesmo lugar, até que o local fique minado, até que a menor das simplicidades tenha a força de uma colisão de dois caminhões a 200km por hora.
E a saudade não tem preconceitos ou faz distinção de gênero, raça, idade ou espécie. Ela é democrática. A saudade é de todos. É da bisavó, do avô, da irmã, do gato. Ela vem de todos os lados de uma vez só. Não vem em ondas, vem em raios que partem seu coração em mil pedaços.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Livros lidos - Junho/2018




1 – Pequena Abelha – Chris Cleave

Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa…
Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como essa narrativa se desenrola.




2 – Recordação Mortal – J. D. Robb

Em Recordação Mortal, a corajosa tenente Eve Dallas é forçada a mergulhar de volta em seu passado. Trudy Lombard, uma mulher cruel e oportunista que diz ser sua mãe, aparece na Central de Polícia e desperta as piores lembranças na tenente, fazendo-a relembrar o tempo em que era atormentada e torturada diariamente. Mas parece que Eve não foi a única a sofrer nas mãos de Trudy, e talvez alguém esteja em busca de vingança.





3 -  A hospedeira – Stephenie Meyer

Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores: suas mentes são extraídas, enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo. Quando Melanie, um dos humanos "selvagens" que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a "alma" invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade que Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente. Peregrina investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua a viver escondido. Incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, Peregrina começa a se sentir intensamente atraída por alguém a quem foi submetida por uma espécie de exposição forçada. Quando os acontecimentos fazem de Melanie e Peregrina improváveis aliadas, elas partem em uma busca incerta e perigosa do homem que ambas amam.

4 – O enigma do quatro – Ian Caldwell e Dustin Thomason

Este thriller de grande suspense intelectual conta a história de quatro finalistas da Universidade de Princeton que descobrem alguns dos segredos que poderão ajudar a desvendar o Hypnerotomachia Poliphili, um texto do século XV escrito em várias línguas por um padre romano no ano de 1499. Os estudantes vão compreendendo a mensagem codificada em labirintos linguísticos e matemáticos que estão por detrás de dissertações sobre arte, zoologia, erotismo e fé, capazes de decodificar segredos de obras da época Renascentista. No entanto, ao perceberem a magnitude da descoberta que estão prestes a fazer e que poderá tornar-se o maior achado da História, descobrem também que há alguém mais que conhece o valor do tesouro em questão e que está disposto a matar pela sua posse. 
O Enigma do Quatro divide-se em dois momentos cruciais. Um primeiro, em que os leitores têm de decifrar cinco enigmas sequenciados de diferentes áreas do saber. E um segundo momento em que a mensagem está codificada nos quatro pontos cardeais que representam as coordenadas geográficas para chegar à cripta, procurada por muitos, onde se encontram peças de arte de valor incalculável.
Do Hypnerotomachia Poliphili sobraram menos cópias do que da Bíblia de Gutemberg. Os estudiosos continuam a discutir a identidade e intento do autor do Hypnerotomachia, Francesco Colonna, igualmente enigmático. Somente em dezembro de 1999, quinhentos anos depois da impressão do texto original, e meses depois dos eventos descritos em 'O Enigma do Quatro', apareceu a primeira tradução completa do Hypnerotomachia.

5 – Razão e sensibilidade – Jane Austen

Na Inglaterra, no século XIX, as irmãs Dashwood ficam desamparadas com a morte do pai, que deixara suas propriedades em Norland ao filho do primeiro casamento. Mudam-se para um chalé em Devonshire, oferecido por um primo da viúva. A autora não faz concessões à sociedade da época, traçando um painel mordaz de tipos interesseiros, cujo objetivo de vida consiste em obter meios de enriquecer e projetar-se socialmente, seja herdando fortunas, seja casando-se por conveniência.

domingo, 1 de julho de 2018

Avulsa




Avulsa.
O ser à parte de tudo;
Sozinha.
Fora de órbita,
do mundo

Observadora em tempo integral
dos acontecimentos mundiais.
Não sente,
não fala;
Só vê
e nem é enxergada

Calada,
Invisível,
quase inexistente.
Atípica.
Apátrida.
Ausente.

sábado, 16 de junho de 2018

#eu

Eu tenho a doença de me cansar rápido das coisas. Do meu cabelo, das séries, das roupas... E dos romances também. Não só os que eu leio, mas também dos que eu vivo. Assim que as borboletas começam a dançar no meu estômago, eu sei que em breve elas irão embora e é uma lástima saber que a mesma coisa não vai acontecer com a outra pessoa. E eu sei, como que por instinto, que ambos os lados sairá ferido. Feliz ou infelizmente, para mim, eu também me canso rápido do sofrimento. Nada de passar mais de dois dias deitada na cama com dó de mim mesma, nada de chorar mais de uma vez, muito menos de ficar dissecando minhas mágoas para terceiros. Doeu? Doeu. Mas amanhã faz um mês.
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