poesias

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sábado, 29 de dezembro de 2018

Querendo ou não




Querendo ou não,
sou eu quem conhece você,
quem decorou todas as suas pintas
com meus dedos;
Quem desenhou seus músculos
com a minha língua.

Querendo ou não,
sou eu quem entende você,
suas angústias.
Fui eu quem te consolou
quando a tristeza nublou seu rosto.

Você gostando disso ou não,
sou eu quem tocou seu coração,
quem leu seus versos de amor.
Sou eu a destinatária das suas paixões.

Querendo ou não,
sou eu quem conhece seu corpo,
quem te arranca suspiros,
quem conhece o gosto do seu gozo
e o som dos seus gemidos.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Você parece não entender




Meu tempo não é igual ao seu,
nunca foi,
nem vai ser.
Mas você parece não entender,
parece não ver.

Você não sabe,
mas eu estou me desfazendo
aos poucos,
bem na sua frente.

Mas seus olhos estão fechados,
seu coração parece estar trancado.
Você apenas se vira
e finge dormir
enquanto eu tento me levantar;
e não lembrar.

Você pode não perceber,
mas meu tempo é diferente do seu.
Enquanto você está pronto para recomeçar,
eu não consigo esquecer,
embora esteja pronta para perdoar.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Você não me desce.



Você não me desce.
Não consigo força-lo a passar pela minha garganta.
Eu só consigo te regurgitar.

Você não me desce,
pelo contrário:
me sufoca.
Se acumula no meu esôfago
e fica entalado,
como se fosse bílis.
Corrói-me por dentro
e deixa seu gosto azedo
na minha boca.

Você não desce.
Nem com água,
nem com leite,
muito menos seco.
Você
simplesmente
não me desce.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Café morno e água fria




Sobrevivendo de café morno e fraco,
assim como eu me sinto
Morna,
fraca
e ferida.

Pisando em vidro quebrado
Estilhaços da minha alma partida
Pedaços afiados
De palavras não ditas
De sonhos perdidos
Mantidos
Por café morno
E água fria.

Os cortes são superficiais
Mas cospem sangue quente
Ardem como o inferno
Entorpecem minha mente.

Os furos parecem crateras
Estão cheios de pus
Contaminados com sua saliva
Precisam ser limpos com gase
E lágrimas de agonia



sábado, 1 de dezembro de 2018

sábado, 24 de novembro de 2018

Aqui jaz um ser extremo.




Aqui jaz um ser extremo.
Um ser que não aprendeu ser metade,
não entende de meio termo;
Não conhece tons de cinza,
muito menos meias verdades,
meias mentiras.
Um ser que não para no meio do caminho,
que não sabe ser blasé,
não suporta “não-me-toques”.
Aqui jaz um ser completo
que sobreviveu
e viveu.

sábado, 17 de novembro de 2018

Conjecturas




E se, num dia desses, eu encontrar você?
E se numa dessas frases que eu tanto reposto
estiver seu nome?
E se, de noite, numa rua escura, você me proteger?
O que eu vou fazer?
Com que cara vou te encarar?
Ou será que eu deveria fugir?
E você?
Será que vai me reconhecer?
Eu mudei, mudei muito, você não faz ideia.
Você também deve ter mudado
e eu não faço ideia do quanto.
Por isso eu me pergunto
o que você faria
se num desses encontrões no meio da rua,
fosse a minha voz te pedindo desculpas?
O que faria se alguém te presenteasse com um livro meu?
Ou se nosso trabalho se enlaçasse
do mesmo modo
que nos emaranhamos certa vez?
O que faria se,
numa dessas festas,
alguém nos apresentasse novamente?


sábado, 10 de novembro de 2018

Guarde para mim seu sorriso mais bonito



Guarde
para mim
seu sorriso mais bonito,
o brilho mais intenso
do seu olhar.

Me reserve
seus sussurros
e seus suspiros.
Principalmente
seus gemidos.
Todos eles
serão meus
e só meus.
Assim como os meus
serão seus
e de mais ninguém.

Você também pode
me manter por perto
quando vierem suas lágrimas
e seus soluços.
Para mim
você pode desabafar,
não me importo.
Desde que eu também
possa em seus ombros
descansar.

sábado, 3 de novembro de 2018

Não agora



O nó na garganta sufoca,
mas não me mata.
Prolonga a agonia até o meu limite,
mas não me quebra.
Eu sou feliz,
mas não agora.

Calafrios tomam conta do meu corpo,
soluços ficam entalados na minha garganta
e no coração;
o choro parece até convulsão.
Eu costumo sorrir,
mas agora eu choro.

Me deixou sem voz,
meus gritos são só sussurros
e lágrimas que já secaram.
Eu sou forte,
mas agora estou triste.

sábado, 27 de outubro de 2018

Em frente



Não peça perdão.
Eles não entendem
nada de arrependimento.

Não solicite permissão.
Eles não se importam
com o que pode acontecer.

Não deseje benção.
Eles não ofertarão
de boa vontade.

Siga em frente,
sempre em frente.
Não olhe para trás,
eles não vão acenar.

Siga em frente,
em velocidade máxima,
sem retrovisores.
Os fantasmas do passado
vão tentar te buscar.

sábado, 20 de outubro de 2018

E eu



E eu aqui,
costurando minha mente;
a mesma que você rasgou.
Juntando os cacos,
pedaços do meu coração,
que você quebrou.

E eu,
aqui,
me escondendo
olhando para baixo.
Procurando seu reflexo
ao meu lado;
escutando sua voz
até no rádio do carro.

Tentando ignorar
todos os sinais
da sua ausência
na minha casa.

Vivendo
no automático
olhando tudo
sem prestar atenção
em nada.

Eu,
aqui
sendo sombra
eterna
da sua luz.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Feitos para resistir




Nadamos em águas escuras
o tempo urge e é sombrio;
o vento não nos sopra boas notícias
é apenas o prenúncio
das tragédias que estão por vir.

Mas nós nãos fomos feitos para desistir.
Ignoramos todos os temporais,
aceitamos os terremotos,
abraçamos os vulcões
e nos contentamos em acariciar os leões.

Porque nós não fomos feitos para fugir.
Estamos destinados a resistir;
aprendemos a não sentir dor
mesmo quando nossa alma se estilhaça.

Escutamos os sussurros do tempo
e quando o silêncio ecoa no deserto
sabemos que o monstro se aproxima.
E aceitamos,
abraçamos a desgraça,
nos transformamos em coro,
rivais amigos
unidos pelo inimigo.


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Hoje



Hoje
somos sombras
do que um dia já fomos.
Havia medo
e dor
havia sim,
mas havia amor
e frio na barriga
e borboletas no estômago
e joelhos bambos.

Hoje
não há espaço
nem para a saudade.
Nos esquecemos
do quão felizes éramos;
a dor se foi
e junto dela
o amor também ficou.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A espera



Te espero todos os dias.
Quando chego em casa,
quando saio do trabalho,
quando vou à padaria.

Te procuro em todos os lugares.
No sofá da sala,
consertando o telhado,
no quarto de quinquilharia.

O problema não é você,
sou eu:
que ainda espero

O problema não é você não chegar
(é claro que não vai).
O difícil é meu coração entender.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Sua



Seus lábios tocaram minha pele
e sua língua acariciou o ponto mais dolorido.
Todo o veneno se esvaiu
deixando apenas...
amor.

Ali,
na margem do rio,
você me mostrou a guerra,
me despedaçou
e me montou de novo

Nenhum de nós escutava as sirenes
e elas soavam e brilhavam e piscavam.
A escuridão se transformou em luzes,
leves reflexos que nós julgávamos serem estrelas

E as estrelas se apagavam aos poucos
a medida que nossos corpos esfriavam
que nossas respirações se normalizavam
que nossos olhos se fechavam.

Talvez algo tenha se quebrado,
talvez você nem tenha escutado
porque o caos estava só dentro de mim.

Talvez fosse sua voz,
talvez a minha,
quem sabe?

Os gritos me ensurdeciam
e eu não me importava
porque eu não precisava ouvir
nem falar
nem sentir
nem olhar.
Eu não precisava ser mais nada
porque naquele momento
eu era sua.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Eu quero




Eu quero pelos nas minhas roupas;
quero baratas no meu quarto;
quero marcas de unhas nos meus tornozelos.
Eu quero miados de madrugada,
quero chamá-lo de fresco quando ele enfiar a pata na água antes de beber,
quero reclamações pela ração velha,
quero marcas de patas no meu lençol.
Eu quero sentir câimbras de manhã por causa do seu peso em cima das minhas pernas,
quero que ele suje meus papéis
e que bagunce os meus cabelos.
Quero que ele fuja do meu colo,
que ande atrás de mim pela casa
e que estrague meus fones de ouvido.
Eu quero que ele pule dentro do meu guarda roupa
e que entre nas caixas de sapato.
Eu quero que ele volte.
Eu quero meu gato.

domingo, 1 de julho de 2018

Avulsa





Avulsa.
O ser à parte de tudo;
Sozinha.
Fora de órbita,
do mundo

Observadora em tempo integral
dos acontecimentos mundiais.
Não sente,
não fala;
Só vê
e nem é enxergada

Calada,
Invisível,
quase inexistente.
Atípica.
Apátrida.
Ausente.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Adornos



Somos nós os “cérebros-anão” da contemporaneidade
Os que botam fé no Deus-Google
Os que precisam sempre de entrada USB
Que morrem se não se carregar

Somos a maior farsa de todos os séculos
Fantasiados de espíritos infinitos
Pregadores da liberdade
Desde que ela esteja conectada

Somos tão limitados que nos esprememos
Até cabermos numa moldura azul e branca
Facebook: o relicário social.
O novo antibiótico dos desesperados:
Compartilhar uma vida linda
Causar inveja nas inimigas (e nas amigas)
Antidepressivo moderno.
Engolido com água da torneira
Porque a garrafa de vinho tinto da foto
Foi só para enfeitar.


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018



O Relógio
de sol,
a cinta:
todos fragmentos
dos dias
de antes
de soar
a trombeta
do apocalipse.
Os polígonos,
o remo;
aqueles objetos
sem a
menor utilidade
para nenhum
de nós.
Até o
peito não
bate como
antes de
tudo mudar.
Sem receios,
sem frio
na barriga,
sem arrepios,
sem sussurros.
Sem sol
brilhante e
ofuscante demais
para mim.
Você foi
e deixou
o vazio.
Antes, éramos
um par
agora não
somos mais
nós dois
Sou eu
só.