Setembro 2017

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Aos 22




Aos 22 algo muda. Você tem alguém que te manda mensagem às cinco da manhã mesmo preferindo não ter. Eles se lembram mais do que antes, talvez porque você conheceu mais pessoas ou então porque mais pessoas conheceram você.
Aos 22 você já partiu alguns corações e algumas pessoas partiram o seu. Prudência deixou de ser uma desconhecida e os erros agora são mais aceitáveis, afinal, você assumiu o risco. Na maioria das vezes.
Acordar cedo te incomoda mais, as costas doem com o esforço, mas não é a idade. Ainda não. São só 22. Os 22 anos não pesam tanto quanto os 30, muito menos como os 18. São só 22.
Sem festa, sem comemorações, sem farra. Você não quer mais isso, cansou. Só quer uma cama, seu gato de quatro patas e um cobertor quentinho o dia inteiro.
Mas não dá. Porque aos 22 você tem que trabalhar. Aos 22 ser imatura não é mais aceitável, mas a maturidade não combina com sua pele lisa. Que resolveu ganhar espinhas, por sinal.
Você não é mais adolescente, mas ser chamada de adulta ainda incomoda, você não acha que mudou tanto assim. Aos 22 você para e se dá conta de que 22 anos passam depressa. E tem o pressentimento de que os próximos 22 serão mais rápidos ainda.
Aos 22, nada mais é o fim do mundo. Nem o começo de tudo. São só 22.