terça-feira, 4 de novembro de 2014

Escravidão Tecnológica

Eu sempre questionei a tal dependência que há no amor. Okay, é um jeito meio sem noção de começar uma crônica sobre escravidão tecnológica, mas é o que há para hoje. E, talvez, para sempre, já que eu, muito provavelmente, não vou escrever outro texto como esse. Ou esse texto outra vez... Que seja.

A questão é que questionar a dependência que o amor gera não me parece fazer mais sentido algum. Talvez porque eu tenha saído da fase “rebelde sem causa” que tanto me parecia certa (é, problemas de cabeça moram nas cabeças de todos) ou porque eu simplesmente tenha me dado conta de que dependemos de coisas muito mais fúteis, desconhecidas e inconstantes que o coração.

Já faz uma semana - ou mais, eu acho, perdi a noção do tempo – que me sinto livre. E, por sinal, sem celular. Não. Não foi uma coincidência. Uma coisa levou à outra como sempre acontece no mundo real e coisa e tal, etc...  A questão é que percebi que as pessoas – eu, inclusive – dependem muito de coisas que não tem tanta importância assim. No meu caso e no caso da maior parte das pessoas da minha geração, o amado celular.

Lá pelos meus doze, treze anos, minha mãe me mandava fazer as pesquisas escolares em livros e não na internet. “Eu sobrevivi assim, por que você não pode?” É uma boa pergunta.  A resposta? Velocidade. Rapidez demais num mundo mais rápido ainda não me parecia problema há uns cinco, seis anos atrás, mas, agora... Pra quê correr? Parafraseando Capital, não me vejo de frente mesmo. Pra quê essa pressa toda em fazer algo? Para ter mais tempo livre para não fazer nada? Ou para fazer mais coisas em um curto período de tempo e morrer de estresse? Muitas vezes, confundimos praticidade com comodidade e competência com velocidade. Reflexos do fordismo ou medo de morrer antes de ganhar a corrida contra o resto do mundo?

Mas enfim... Aquele maldito aparelho tem seus benefícios, obviamente, mas também nos prende. E limita nossa memória, já que decorar telefones e endereços não faz mais parte do dia-a-dia dos humanos-máquinas em geral. Quando não é um aplicativo qualquer apitando, é alguma pessoa ligando para, no mínimo, saber onde você está. Ficar em contato com os amigos é bom, é verdade, mas um pouco de solidão não mata ninguém também. Cobrança e conversa demais gera estafa excessiva e/ou colapso mental.


Eu só... Sei lá. Me parece bom respirar, parar de olhar as horas o tempo inteiro – mesmo que por uma mania besta, esquecer dos problemas que chegam pelas sms’s e ligações, das coisas que acontecem no whatsapp. Se bobear, posso até me pegar escrevendo cartas. Foi bom “me desligar”, por assim dizer. Pelo menos nos momentos em que não estou em casa, foi bom esquecer que existe um mundo paralelo, em outra dimensão, que é até mais problemático que esse.
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